sábado, 30 de julho de 2011

Continuação da História da égua Magrela e seu potrinho


20/05/20011-Recebi a triste notícia: mesmo recebendo alimentação reforçada, sob cuidados veterinários, estando num lugar maravilhoso com riacho, bom pasto e pessoas que os amavam, os animais não resistiram aos maus tratos recebidos durante anos e vieram a óbito.

Terça-feira 26/07/2011-Recebi  intimação do Juizado de Conciliação para comparecer neste Juizado na próxima quinta-feira 28/07/2011-O carroceiro entrou com reclamação querendo os dois animais de volta.

Preparei uma pasta com: Boletim de Ocorrência, Declaração do Hospital Veterinário da UFMG, declaração do veterinário atestando os óbitos, fotos dos animais, Leis de proteção Ambientais, Projeto de Lei  10.119 de 24/02/2011 que regulamenta o uso das Carroças, a história do resgate, pedi a presença de nossa advogada e amiga Natali, pedi a presença de uma testemunha que  ajudou na denúncia contra os maustratos  (que omitirei o nome por ela ser vizinha do carroceiro).

Recebi orientações dos protetores :Franklin, Vera e Mª Irene (Mª Irene me acompanhou todo o tempo)

Quinta-feira-28/07/2011-Ao chegarmos, encontramos o Sr. Carroceiro com a esposa trazendo no colo um bebê de poucos meses e mais dois filhos pequenos.

Só podem adentrar na sala de Conciliação o reclamante, a reclamada e advogad(o)(a). A mediadora pediu que as partes relatassem os fatos. O  Sr.  Carroceiro, visivelmente embriagado, contou uma estória bem distorcida da citada no B.O.

Eu relatei o que se passou, apresentei toda a documentação inclusive o atestado dos óbitos. Mediante isto ela disse p/ ele que não havia mais o que fazer  e diante das insistências descabidas dele e dizendo que se não haveria conciliação, estávamos dispensados.

Tal Sr.  saiu gritando, me chamando de “ladrona” que “iria me matar,” “ que iria até Brasília p/ reaver a égua.” Os seguranças do local nos escoltaram até o carro de Natali.

A protetora Mª Irene que várias vezes já passou por isso achou por bem, registrarmos queixa crime na Delegacia da Polícia Civil e lá fomos nós. Lá foram registrados os fatos e segundo o policial o carroceiro vai ser intimado a comparecer para depor.

Saímos com mais m documento para anexar à pasta. Eram já dez horas da noite quando fomos apanhar ônibus. Estávamos, preocupadas, ressabiadas e exaustas.

O gratificante, neste episódio, é que a testemunha que apareceu, que  eu não havia conhecido no local da apreensão do animal porque ela tivera que ir ao banheiro, ela me contou que tinha presenciado este carroceiro batendo no animal com um pedaço de pau e que o animal corria fugindo dele e ao mesmo tempo, procurava revirar o lixo,  esfameado.

 Ela , revoltada ,disse que ia chamar a polícia aí ele  fugiu e quando reapareceu, mais tarde, como a testemunha não se encontrava quando a polícia chegou, ele disse que os animais estavam desaparecidos havia uma semana e por isto estavam daquele jeito.

O depoimento dela, muito importante, foi passado para a mediadora mostrando quão mentiroso era o carroceiro e comprovando que os animais eram, realmente, maltratados.

Essa testemunha foi muito corajosa, foi e voltou conosco da Delegacia. Nesta parte ficamos felizes e agradecidas porque vemos que só mesmo pessoas que amam e protegem os animais são capazes de desafiar o perigo arriscando-se dessa maneira.
Agradeço a todos os protetores que me ajudaram neste momento.

Mas o pensamento daqueles pobres inocentes filhos do carroceiro, não me deixaram dormir tranquila.Entrei em contato com o presidente da Associação do Bairro e pedi que ele conversasse com a esposa do carroceiro para ver se ela aceita alguma ajuda já que o marido é alcólatra e desequilibrado. Caso ela aceite, estarei ajudando à esposa e aos filhos, tão sofridos quantos os pobres dos animais.